Amor compartilhado

Mãe de gêmeos salva vidas de outros bebês doando excesso de leite

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A advogada Jussara Teixeira, de 29 anos, sempre teve o desejo de ser mãe e de amamentar seus bebês. As expectativas aumentaram quando ela se descobriu grávida.  Ao fazer o primeiro exame de ultrassom, veio uma surpresa: gêmeos. Dois coraçõezinhos batendo em sintonia para completar a felicidade da nova mamãe.  

“Eu sempre quis amamentar, e exclusivamente. Tanto é que não compramos mamadeiras nem bicos artificiais. Eu trabalhei a minha mente. Pensei ‘eu quero e vou conseguir’. Quando os bebês nasceram, comecei a fazer a ordenha manual nos três primeiros dias e era um sufoco para tirar os 4ml necessários para a dieta deles”, conta Jussara.

“Então, uma noite retirei um pouco de leite para congelar e no outro dia acordei com os seios cheios. Fui até a UTI Neo superfeliz para fazer a ordenha. Depois disso, passei a tirar de 500ml a 600ml por dia”, comemora. 

Assim como Jussara, existem muitas outras mães que têm grande desejo de amamentar, mas que, por um motivo ou outro, ficam frustradas por não conseguir. A Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta que recém-nascidos devem ser alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade, mas dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) apontam que, no continente americano, essa recomendação é seguida por apenas 38% das famílias com bebês. 

Para os Bancos de Leite do Brasil, o "Dia Nacional de Doação de Leite Humano", comemorado em 19 de maio, é um momento especial de sensibilização da sociedade para a importância da doação de leite. Além de ser uma iniciativa a mais para a proteção e promoção do aleitamento materno.

Após a sua produção de leite aumentar, Jussara conta que começou a congelá-lo. Mas, quando surgiu a oportunidade de doá-lo, não pensou duas vezes.  “Quando a nutricionista veio perguntar se eu tinha interesse em doar o leite, prontamente disse que sim. Sou doadora de sangue. O que eu pudesse doar de mim para ajudar o próximo faria sem problema. O mais gratificante é saber para quem o leite foi doado e a utilidade que ele teve. É muito bom poder ajudar outros bebês”, afirma. 

A médica cooperada da Unimed Maceió, Dra. Junko Assakura, destaca a importância dessa iniciativa. “É muito raro uma mãe de gêmeos ter leite o suficiente para amamentar seus bebês e ainda conseguir fazer doações. Mas não é impossível. Amamentação é uma questão cultural que já perdemos e precisamos recuperar e sempre reforçar a sua importância”, afirmou.

Antes de ser doado, o leite materno é submetido a um rigoroso controle de qualidade, e passa por um processo de pasteurização, conforme rege a legislação que regulamenta o funcionamento dos bancos de leite humano no Brasil, a RDC Nº 171.

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